Domingo, Setembro 11, 2011

O Congresso do PS

Por ter participado em muitos e assistir a outros tantos nunca valorizei muito os “conteúdos” dessas reuniões magnas dos partidos. Salvo uma outra excepção – às vezes há surpresas – são grandes encenações, momentos de catarse emocional e de declarações inflamadas, espaços de intriga e de conspiração de corredores e de show off para o País consumir.
Este congresso do PS não fugiu a esta regra. Foi uma grande encenação com o objectivo de entronizar um novo líder, foi um momento de catarse para enterrar Sócrates e fingir que se sepultou com ele o “socratismo” e os “socratistas”, foi um espaço de intriga e de conspiração onde a real divisão se travestiu de unidade e foi, evidentemente, um grande espectáculo oferecido ao Povo Português, em que as televisões ávidas pelo faz de conta e pelas irrelevâncias mediáticas se encarregaram de transmitir.
O que verdadeiramente aconteceu este fim de semana a Portugal com este congresso do PS: nada. Continuamos endividamos, continuamos a ter instituições políticas incapazes de encontrar e desenvolver um modelo alternativo de desenvolvimento, que não passe pelo empobrecer sistemático da classe média e das pequenas e médias empresas, pela inexistência dos sectores primário e secundário, pelo desmantelar abrupto do Estado Social e na sua transformação em estadozinho assistencialista para pobre e agradecidos, pelo ataque deliberado, estratégico, táctico e sistemático ao Poder Local, etc, etc, etc.
Tó Zé Seguro não é substancialmente diferente de Pedro Passos Coelho. Tal como Passos Coelho, Seguro terá o seu “Relvas” e os fantasmas do passado, tal como Passos Coelho, Seguro será cúmplice do degradar do País e das suas instituições, será escravo dos interesses de sempre e da vontade franco-prussiana…na verdade Tó Zé Seguro e Pedro Passos Coelho são as faces consentidas e contemporâneas pelos subterrâneos do Bloco Central de Interesses. Nem mais nem menos.

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