Quarta-feira, Novembro 16, 2011

Onde tudo se perde – CDS, Portas e Chavez

Quando José Sócrates criou uma relação de proximidade com a “personagem” Hugo Chavez, logo em Portugal se levantou um coro de protestos, muito especialmente protagonizado pelo CDS e Paulo Portas.

As objecções desse partido e desse líder partidário tinham, aparentemente, razão de ser.
 Na verdade Chavez é uma “personagem” (e insisto deliberadamente na expressão “personagem) muito pouco recomendável, a todos os níveis e não fazia muito sentido que o Primeiro-Ministro de Portugal cultivasse tal tipo de amizade.
É evidente que essas objecções não contrariavam factos que José Sócrates, com toda a certeza, tinha presentes: existe uma enorme comunidade de Portugueses na Venezuela, esse país, sobretudo tendo em contas as questões energéticas, é obrigatoriamente um parceiro útil e muito interessante para Portugal e que convêm, em matéria de RI diversificar horizontes, mesmo que isso signifique “engolir alguns sapos”.
Mas o CDS e Portas, muito legitimamente, apostaram num discurso de princípios e valores, que apesar de ser especialmente “romântico” em matéria de diplomacia, uma vez adoptado não pode nem deve ser abandonado.
O CDS e Portas uma vez chegados ao governo de Portugal meteram esse discurso na “gaveta” e trataram de em matéria de Chavez fazer exactamente o que fez Sócrates.
É nisso que “tudo se perde”. Perde-se credibilidade, perde-se confiança, perde-se honra, perde-se tudo incluindo a vergonha.

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