Sábado, Janeiro 14, 2012

A central de "publicanos"

É evidente que em contexto de “crise” o papel do Ministro das Finanças tem uma importância acrescida, mas o que se está a passar no presente governo é inadmissível em Democracia. Este Ministro das Finanças, ao que parece tratado por alguns colegas por “salazarzinho”, é o dono e senhor do Executivo. É claro que a orgânica do Governo e a sua composição – ministérios gigantescos liderados por aquilo a que se costuma designar por “técnicos” – facilita em muito a preponderância de Victor Gaspar, que é muito mais do que uma “eminência parda”. Ele é, na verdade o Primeiro-Ministro “de facto” enquanto Pedro Passos Coelho é o Primeiro-Ministro “formal”.
A situação mais gritante verifica-se em relação à Economia. O Ministro da Economia – que parece ser uma excelente pessoa – não governa, apenas teoriza sobre a necessidade de “exportar” – desde a cortiça ao pastel de nata – sem criar qualquer condição objectiva para que o crescimento das exportações aconteça. Isto passa-se mesmo no plano do simbólico, senão vejamos: na semana passada, Victor Gaspar, Ministro das Finanças, anunciou com pompa e circunstância que ia organizar uma mega-conferência sobre “Economia e sobre as formas de relançar a Economia Portuguesa”. O Ministro da Economia nem “nem tugiu nem mugiu”, assobiou para o lado e veio falar de cortiça.
Pedro Passos Coelho ao permitir esta situação vai perder o controlo do Governo (se é que ainda tem, já que as mais recentes nomeações e a trapalhada que originaram me fazem desconfiar disso) e o controlo do seu partido.
Na verdade o Governo não governa, limita-se a ser uma central de “publicanos*”.

*Colectores de impostos no Império Romano.

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